Ontem tua voz anunciava a volta de um coração. Como a possibilidade me comove. Quase enxerguei a soltura do teu sorriso, a pressa dos teus olhos. As nossas palavras pedindo calma, cada tempo traz seus desígnios. É que por vezes nos falta paciência. Há dias nos quais a vida não está para diversões. Já nos dissemos isso. Mas a gente escapa dessa. Vontade de querer tudo. Esquece, crescemos. Cada erro pode ser fatal. Então anda devagar, aproveita a viagem. Expectativa é a gente que alimenta. Ah, eu não mudo. Entrega a cada coisa o tamanho que lhe convém, normalmente dá certo. Mas ainda tem essa esperança de teimosia, essa crença que virou nossa religião. Seria então tudo escolha? Sou tão senhora de mim? (Silêncio)... A gente está cada vez mais perto. Vá saber... Mas o que nos cabe é essa tentativa, a nossa não desistência, nosso descuido. Disfarça, mas fica a espera. A gente ainda vive. E estamos cada vez mais perto. Passos a gente dá sempre, todo dia, e cada repouso da lua é como o nosso. Então por hoje descansa, que temos muito a nascer.
Uma dose de sonhos e dois dedos de esperança
quinta-feira, 19 de maio de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
mundo
Ouvi dizer que o amor não vem pronto, que reconhecê-lo na multidão não passa de um eco de contos de fada que ouvimos na infância. Há quem discorde. E quem confirme. Escutei que o amor é um sol de cada vez, e que toda tarde adormece numa cama de nuvens quentinha. Falaram que tem amor que chega desesperado, assustando, vestindo o prenúncio de algo grandioso, se romance ou drama, depende de quem sente. Paciência. Já me rezaram que amor nem existe. Um dia juraram eternidade, e... bem, foi melhor para os dois. Ainda lembro de sussurros tatuados nos olhos que, confesso, disse sim. Escreveram que amor tem começo, meio e fim, não necessariamente nessa ordem. Não duvidei. Pode trazer alívio ou levar nossa paz. Que amor é verdade, repouso. Invenção. Cuidado. Liberdade. Limite. Pensava o quê? Pode ser presença de um deus, descuido, poesia. Amor pode ser desembestado, uma morte. Renovação. Profético. Risco. Querência. Disposição, desprendimento. Ternura, força. Não sabe as horas e não usa calendário: diz que tem mais a viver. Às vezes fica, outras nem chega, ou vai manso e quando se percebe é ele acenando de longe (já vi indo embora sem ao menos olhar pra trás). Ditaram que amor não é pra qualquer um. Resiliência. Que é ousadia, silêncio, promessa, bagunça. Rotina. Desejo. Gargalhada e... Parece que é um mundo de tanta coisa...
quarta-feira, 20 de abril de 2011
retrato
quarta-feira, 6 de abril de 2011
silêncios
Teu silêncio é delicado
Passos mudos, gentis
Nele te cumprimento
Dou abraços
Beijo-te o rosto
Ofereço, se quiseres,
Minha melhor companhia
No teu silêncio faço festa
Tem circo, algodão doce e
Pipa de toda cor
Mas em silêncio vivo
Também indeciso
Se fico ou passo
Se dou dois passos a ti
Fico igual
Escrevo uma poesia
Aceito o que me cabe
E na quietude
Acolho, devagarinho
Os silêncios teus,
repousados no chão