sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Vício

meu vício é sorver toda presença,
sugar mansamente as histórias
de cada vida que tem a desenhar
nessa atmosfera bonita
que de infinito tem o devaneio
de quem ver cor no escuro.
Vem,
assopra junto esse acalento
que nos renova a essência,
que nos faz inteiros nesse minuto,
e nesse,
e nesse,
e nesse...
Por hoje vamos beber toda alegria,
digerir desalento
tatuar na memoria
o alarde da descoberta
de iguais.
O meu vício,
o meu único vício
é sentir a aproximação da felicidade amiúde
em cada instante
atulhado nesse coração abençoado
por receber tão preciosas gentes.
Contemplemos hoje,
nesse teimoso vício de candura,
a meia lua que ri
bendizendo a batucada hilariante dos gestos delicados.
Matuta essa delícia de descobrir
nos olhos o entusiasmo
pela crença em um âmago bondoso,
te impregna desse cheiro de jardim amarelo-turquesa,
que te afirmo,
por hoje e sempre,
uma religião de afeto.

5 comentários:

Francisco de Sousa Vieira Filho disse...

A diferença entre vício e virtude por vezes é só a intensidade... neste caso, creio eu, perspectiva... é maravilhosa e virtuosamente belo o teu escrito... e só virtude vejo na conduta que nele chamas vício... ;)

amulhernua disse...

intensa, como sempre...
aqui tudo é à flor da pele...
chega as vezes a ferir
e a gente, bem... deixa sangrar!

;)

Carol Alves disse...

UM MUNDO DE COISAS LINDAS E CHEIAS DE DOÇURAS NOS ESPERA.......VAMOS???????

XERO NA SUA ALMA!!!!!!

patricia disse...

a foto do barco foi em belém,fikei um pouco com medo nessa hora.rs

sim, beijos de alegria!

Hotel Crônica disse...

Confesso que sou agnóstico.
Mas essa religião que criou, do afeto, muito me interessou.
Penso estar aí meu Deus.
Se aí não for não sei onde estará.

Gostei muito de seu blog.
Ganhou mais um seguidor.
Abraços de quebrar a costela
do Blog Hotel Crônica